O palhaço
desenha um sorriso em sua boca,
Coloca uma
rubra bolinha no nariz,
Entra no
palco com enormes sapatos.
A cada
movimento, uma risada,
As
gargalhadas alimentam suas ações
mas devoram sua alma.
Ele realiza
gestos exagerados:
Joga-se no
chão,
Finge se
machucar.
A plateia,
em meio ao delírio, parece rugir:
“Mais, mais, mais”, lhe clamam.
E ele mais
uma vez pula e dança,
Ao som das ordens de seus
espectadores
A maquiagem
começa a derreter com o suor,
Sua verdadeira
face, tão marcada, é exposta.
Seu cansaço
é aparente.
“Mais, mais, mais”, comandam as vozes
nervosas.
Ele faz
troças de si.
Parece
chorar em um momento,
Mas segue
com suas piadas.
Ao fim do
show, retorna lentamente ao seu camarim,
Olha seu reflexo
no espelho...
Não gosta do
que vê!
Ninguém
aplaude este!
Querem a
pintura e a voz esganiçada!
Mais risos,
mais piadas, mais quedas!
Ele também
almeja ser o outro,
Ser querido
e amado.
Tenta
sorrir, mas sua mandíbula parece travada.
Seu corpo
dói e o coração lateja.
Por que não
pode ser como o palhaço que
se apresenta todo dia no palco?
Por que
sempre está tão solitário?
Levanta-se
tentando ao máximo
Não ver a feição à sua frente.
Não aguenta
outra noite...
A despedida
é dramática,
Apesar de sem testemunhas.
Sua última
performance:
- uma cadeira e uma corda.
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