sábado, 22 de dezembro de 2018

ELA

Abro meus olhos e não reconheço meu entorno.

Paredes cinzas, sujas, tapando uma possível vida exterior.

Começo a ouvir gritos, choros, lamúrias...

De pessoas nunca antes vistas.

Como vim parar aqui?

Tento me lembrar, mas não consigo.

Minhas memórias escapam.

Tento capturá-las, retê-las, mas as mesmas parecem miragens.

Aos perguntar aos outros, relatam histórias que sinto não serem verdadeiras, porém, como revelar a mentira?

Perco-me em meu pensamento, quiçá louco, quiçá um maravilhoso mundo que me faça fugir do terror diário.

Agora, todos me dizem o que fazer, como me portar e que tudo o que digo está errado e é mero fruto da loucura.

Quero um passado que não me importa se é falso.

O doce clamor de seres coloridos de um paraíso escondido pela poeira dos vidros, que me encarceram, embaçando a minha visão.

Fecho os meus olhos para me reconhecer.