Abro meus olhos e não reconheço meu entorno.
Paredes cinzas, sujas, tapando uma possível vida exterior.
Começo a ouvir gritos, choros, lamúrias...
De pessoas nunca antes vistas.
Como vim parar aqui?
Tento me lembrar, mas não consigo.
Minhas memórias escapam.
Tento capturá-las, retê-las, mas as mesmas parecem miragens.
Aos perguntar aos outros, relatam histórias que sinto não serem verdadeiras, porém, como revelar a mentira?
Perco-me em meu pensamento, quiçá louco, quiçá um maravilhoso mundo que me faça fugir do terror diário.
Agora, todos me dizem o que fazer, como me portar e que tudo o que digo está errado e é mero fruto da loucura.
Quero um passado que não me importa se é falso.
O doce clamor de seres coloridos de um paraíso escondido pela poeira dos vidros, que me encarceram, embaçando a minha visão.
Fecho os meus olhos para me reconhecer.